
Conheço o Gitti há mais de dois anos. Desde que entrei numa comunidade sobre Sonhos Lúcidos no Orkut. Foi através dessa referência que conheci o seu blog e me tornei fã, disseminador e incentivador do seu trabalho. Mais tarde nos conhecemos pessoalmente e nos tornamos amigos. E nossas conversas muitas vezes passam por planos de projetos ou ações que provoquem as sensações alheias. E este post, feito em conjunto com ele, é um desses.
Acho que tudo começou quando conversávamos sobre uma garota que enxerga tão poco além do seu próprio mundo que comumento perde-se em monólogo sobre sua vida e suas experiências e suas canções. Assim, como uma doce homenagem, resolvemos que nosso projeto envolvendo nossos blogs seria uma troca de posts, aonde cada um indicaria 11 CANÇÕES com o objetivo de provocar as pessoas com o que elas mais desejam e menos sabem lidar: O AMOR.
Pois, nas próximas linhas vocês encontrarão 11 canções escolhidas e comentadas com maestria pelo Gitti. Um repertório de histórias possíveis que, caso você não tenha vivido nada parecido, será um convite para que realize a urgência docemente maliciosa de “Two Step”, que entenda como é possível cultivar a esperança de um amor distante celebrando a certeza de ambos compartilham do mesmo céu. Você passeará por toda uma vida amorosa: do seu primeiro encontro até o fim, passando por momentos como a conquista, o sexto e o que acontece depois dele, a dança e o casamento e as viagens. Cada canção é uma lição, uma aula apresentada pelo Gustavo através dessas linhas que ele entende tão bem. Baixe as canções e delicie-se com elas.
Ah, e não esqueça de acompanhar as letras (inclusive com as traduções, embora elas não carreguem a força dos originais) aqui:
11 MÚSICAS PARA AMAR MELHOR
Por Gustavo Gitti | www.não2nao1.com.br
1. PRIMEIRO ENCONTRO
DANCE ME TO THE END OF LOVE
Madeleine Peyroux
[audio]http://www.enloucrescendo.com/blog/mp3/n2n1/02_-_foo_fighters_walking_after_you.mp3[audio]
Um das qualidades mais comuns na fala de quem descreve um bom primeiro encontro é a espontaneidade, quando tudo flui como uma dança. A versão jazzística da Madeleine Peyroux para a música do poeta zen Leonard Cohen serve para se ouvir antes de sair, durante o encontro ou depois, junto a lembranças e vontades-de-quero-mais. Sem falar que é difícil encontrar expressão mais bonita do que “Dance me to the End of Love” – todas as exigências femininas se resumem a esse único pedido.
2. CONQUISTA
WALKING AFTER YOU
Foo Fighters
Sedução e conquista são nomes para um só processo: envolvimento. O cara pode ser feio, não ter carro ou grana, mas lentamente vai invadindo o mundo dela, colocando brilho onde não tinha, criando marcas com sua presença. Ele envolve com frases, presentes, ligações, músicas, filmes, olhares, poemas, braços, pernas… Ele vai atrás dela. E, de repente, ela olha o Sol e ele está lá, olha para o teto de seu quarto e o cara está lá. “Walking after you” é uma das músicas que mais refletem esse processo, em letra e melodia. A condução contínua na caixa e o violão dedilhado são o som de nosso caminho ao redor do outro, percorrendo suas linhas, colocando nossa mão em tudo: “I’m on your back”.
3. STRIPTEASE
SINKIN’ SOON
Norah Jones
Já recebi stripteases bem produzidos, com direito à cadeira, fantasia e medley de músicas de soul, black e R&B, porém essa música da Norah foi responsável por um strip que não deveria ter acontecido. O clima de cabaret, o efeito da surdina no trompete, os acordes repetitivos do piano, o chimbal aberto… Tudo faz com que o quadril lentamente se mova e roupas sejam arremessadas, um a uma, sem pressa. A própria letra prevê o que acontecerá ao seu fim: “We’re gonna be sinkin’ soon”.
4. FUCK MUSIC
TOUCH
Jonny Lang
Jonny Lang é um moleque que canta, toca guitarra e compõe como se tivesse 52 anos. Até o momento, sua discografia mostra bem seu percurso: começou com dois CDs de blues aos 15 anos, passou ao rock no terceiro álbum, fez outro com baladas para comer mulher e resolveu lançar um com música gospel (a consciência deve ter ficado pesada!). “Touch” é do quarto CD, claro. No entanto, penso que ele não deveria ficar com nenhum peso na consciência. Quer trabalho mais espiritual do que fazer trilha sonora para que o amor seja bem feito mundo afora? Sobre a música, nada a comentar – sabe como é, dessas coisas não se fala.
5. PÓS-FUCK MUSIC
AMOR PURO
Djavan
Suados e deitados, mão que desliza a milimetros da pele. Uma única respiração, efeito de horas de movimentos sincronizados. Qualquer música agitada atrapalharia esse momento. Mas não a cadência da bateria de Carlos Bala, um ritardando que nunca acontece. Cada batida é bem na cabeça, desapressada, esperando cada vez um pouco mais. Eis uma arte que todo amante deveria aprender, a da precisão. Simultânea ao toque, a letra é para ser sussurrada longe do ouvido, nos braços, pés e pernas: “Te adoro em tudo, tudo, tudo”.
6. CASAMENTO
CASE-SE COMIGO
Vanessa da Matta
A primeira vez que a ouvi estava andando pela cidade, sol na cara, céu no fim da rua. A playlist tinha sido gravada como uma surpresa (“Troquei todas as músicas. Bom dia!”). Senti a responsabilidade de ter me metido na vida de uma outra pessoa, de causar sorrisos, de amar. Delicioso ouvir isso de uma mulher: “Meu príncipe, meu hóspede, meu homem, meu marido”. Ao apresentar cenas do passado e flashes do futuro, a música pedia minha ação: “Case-se comigo, antes que eu padeça”. Deu até frio na barriga. A letra e a própria voz de Vanessa da Matta são tingidas de entrega, algo delicioso e não menos assustador.
7. PARA DANÇAR
HARVEST MOON
Cassandra Wilson
Não é à toa que a versão da Cassandra Wilson para a composição de Neil Young foi escolhida para compor a trilha do filme My Blueberry Nights (Um Beijo Roubado). É para dançar colado, cheek to cheek. Em silêncio, deixando que a letra fale por si própria: “Cause I’m still in love with you, I wanna see you dance tonight”. Atente para os sons de fundo e perceberá que a música é, na verdade, todo um ambiente de amor. Aí basta repousar, basta ficar.
Para os casais que sabem dar show no salão, deixo 3 sugestões de ritmos diferentes: “Na Gangorra”, de Mariana Aydar (samba de gafieira); “Zum”, de Astor Piazzola (tango); e “Salsa Rapada”, de Toure Kunda.
8. VIAGEM A DOIS
TRIP HOPPIN’
Aerosmith
Aerosmith foi a única banda da qual fui fã de carteirinha. Comprei, um a um, todos os CDs – na época em que eles eram dificilimos de achar – e os coloquei em uma caixa que fiz só para isso. Road music tem de monte (uma das que mais gosto é “Saving Grace”, do Tom Petty), contudo, é meu espírito solitário que as adora. Escolhi “Trip Hoppin’” não só porque foi feita para se ouvir com vento batendo no rosto, mas por deixar claro que a verdadeira viagem é o outro: “Loving you is trippin’ to me”.
9. AMOR À DISTÂNCIA
KISS THE RAIN
Billie Myers
Esses versos retratam exatamente o que acontece nos relacionamentos à distância. A incerteza quanto ao tamanho da distância sutil entre ambos (“Am I gettin’ through to you?”), o medo de que o outro se apaixone por um terceiro (“Are you sure you’re there alone?”), o desejo que ele se sinta igualmente solitário e miserável (“And the nights As empty for me, as for you”), a poesia em ter o céu como único ponto de encontro (“Keep in mind / We’re under the same skies”). Não importa se lá longe impera outro idioma, se as mentes pensam diferente, se é outro fuso-horário. Lá deve chover também, igualzinho aqui. Quando você quiser amar e não encontrar ninguém por perto, nem precisa sair para beijar a chuva: aninhe-se na voz de Billie Myers.
10. ONE-NIGHT STAND
TWO STEP
Dave Matthews Band
“Celebrate we will / Because life is short but sweet for certain”. Eis a essência de uma boa one-night stand. É como se disséssemos um ao outro: “Em breve, estaremos todos mortos. Não me importa seu nome, vamos celebrar”. Usar Dave Matthews para envolver alguém é pura sacanagem. Se não quiser trapacear, se preferir jogar limpo, nunca dê play nessa música. Todas as composições do grupo são uma mistura de malícia, sensibilidade e força. Esta última qualidade vem da pegada de Carter Beauford, um dos melhores bateristas do mundo. Para manter a ordem do mundo, não ouça essa música (nem “Crash into me”, “Crush” ou “The Space Between”) com ninguém, ok?
11. EX-NAMORADOS
LOVE RIDDEN
Fiona Apple
O namoro acabou e você sente indignação, frustração e raiva? Conheça Fiona Apple, especialista em cantar revoltada por algum relacionamento fracassado. “Love Ridden” é a quarta música de seu melhor álbum [http://en.wikipedia.org/wiki/When_the_Pawn...], cujo título é o mais longo da história, com 445 caracteres. Ainda que a letra sugira a existência de um namoro, a melodia se move a partir da certeza do fim. O contato que começa com um aceno à distância pode eventualmente se enriquecer com beijos e abraços, para enfim voltar aos acenos, agora mais distantes: “Only kisses on the cheek from now on / And in a little while, we’ll only have to wave”.
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Para conhecer a minha lista de 11 CANÇÕES PARA AMAR MAIS, vá até o Não 2, Não 1
Tags: amor, casamento, dança, distância, ex-namorado, gustavo gitti, mirandas, musica, relacionamento, viagem


Músicas perfeitas para curtir a dois…
Uma pena q no momento eu esteja curtindo apenas a solidão….
Como deu trabalho isso, não? Mas valeu cada minuto.
Faz muito tempo que essa página está nos meus favoritos. Mudou um pouquinho, deu uma sumida, mas achei d novo! Muito perfeito… Por favor, n suma outra vez!
MARA VILHADA
Eu adorei! sera porque a gente passa a vida imaginando que tem um soundtrack tocando sempre?