A bancária Silvana Durante inquieta-se e une os punhos, que passeiam à brevidade de um segundo pelo espaço entre o canto dos lábios e sua bochecha úmida. No caminho, ela expira um gemido e inspira o próprio perfume misturado aos odores de cigarros e suores, enquanto comprime os seios com os antebraços unidos no lançamento: um movimento rápido como um tiro disparado para o alto, cuja bala revolve ao presente da gravidade com igual violência. Ela então joga os ombros para trás, projetando o peito em ascendência, as tetas atiram, atiram-se.
Ás vezes seus quadris ameaçam não comportar o tamanho do caos, em movimentos que denunciam a incoerência entre suas pernas e cintura. A cada instante, suas poses sugerem um novo e absurdo símbolo alfanumérico, a correspondência visual para os sons desengonçados que escapam da sua boca em desgovernada companhia de saliva, soluço, suor, silvo e sorriso; abrindo espaço para os seus desejos de entradas: sorriso, salamaleque, sarro, sonho, saliva.
Seus olhos funcionam ao avesso, perdidos no que só ela faz questão de enxergar. E sem a mínima vontade de compartilhar dos seus segredos, ela justifica numa gargalhada todos os movimentos espantosos que o seu corpo consegue alcançar: Porque ela sabe da parvalhice de todos naquela pista de dança. Somos nós, sou eu, que só vejo a música transfigurando-a, alheio ao que se passa no espaço infindável de sua calcinha.


