Num táxi no Rio de Janeiro

Eu caminhava pelo Leblon em busca de um táxi que me levasse à Barra da Tijuca. Sinalizei para um carro que passava do outro lado da rua mas que conseguiu desviar de outros carros à sua direita e parar metros à frente. O motorista era um senhor que ao me flagar tentando usar meus 32 anos como atestado de maturidade disse-me ter mais que o dobro.

Com seu sotaque cearense ainda firme confessou-me seu amor pelo Rio de Janeiro, cidade que lhe deu o que ele foi lá buscar. Não detalhou sua busca, mas me dei por satisfeito com sua breve história sobre a sensação de ter bebido água gelada pela primeira vez, aos 17 anos. Meu coração apertou-se ao imaginar quantas outras histórias fantásticas foram responsáveis por construir aquele homem desconfiado com a minha presença forasteira. Associou-me com outras tantas visitas que passaram pelo seu táxi justificando a visita ao Rio por conta dos ainda distantes jogos olímpicos. Sua preocupação era que a cidade não conseguisse atender a tantas pessoas ao mesmo tempo, além da possibilidade de que no final das contas os investimentos acabassem em desgastes e desvios em detrimento dos progressos.

Procurei tranquiliza-lo, primeiro dizendo que parte do meu trabalho tem como objetivo promover o compartilhamento de idéias para que todos possam se beneficiar. Também comentei sobre outras pessoas fazendo boas coisas através da tecnologia, como o Vote na Web. Ele mostrou-se interessado, aliviado e feliz.

Disse-me então que há algum tempo uma moça havia entrado no seu taxi e perguntado se ele acreditava na política, e sua resposta foi surpreendente: “olha, moça, eu não acredito na maioria dos políticos, mas acredito na política. acredito que devemos nos responsabilizar pelas nossas decisões, que determinam quem nos representam. se eu disser que não acredito na política estarei assumindo que sou omisso com o meu país, com as pessoas que vivem nela, e comigo mesmo, de certa forma”. Segundo ele, a moça ficou incomodada com a resposta, mas como ele havia feito quando me falou da sua vinda ao Rio, não entrou em detalhes. Não me importei, me satisfiz com sua história e como ela havia contribuído para esta ótima semana.

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1 comentário

  1. Legal. Taxistas são incríveis mesmo.

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