Humor
25
May 10
100 perguntas que Lost respondeu (ou não) (parte 1 de 3)
Encontrei em algum lugar (acho que no Dude, We Are Lost) uma lista que circulou este ano com 100 perguntas que Lost precisava responder. A lista é grande, e muitas das perguntas foram respondidas. Outras ficaram por conta das especulações que se arrastarão por anos nos fóruns. Quaisquer correções poderão ser feitas através dos comentários.
29
Mar 10
Teatrinho de crianças apresenta Scarface
O vídeo acima que mostra os instantes finais de Scarface causou estranhamento e provavelmente revolta em muita gente (imagino a cara de muita gente ao ver a professora empurrando para o palco o garoto que dá o tiro de misericórdia no Toninho Montana). Mas descobriu-se que tudo não passava de uma brincadeira do Marc Klasfeld, diretor de vídeos da Lady Gaga (descobri isso lá no Merigo).
Recomendo FORTEMENTE uma olhadela nos comentários do vídeo no YouTube.
17
Jan 10
Num puteiro do Harém
JONAS: Nossa… ontem estive no paraíso.
PABLO: Então me conta, TUDO.
JONAS: O lugar mais impressionantemente maravilhoso de TODA a minha vida. Hoje eu posso dizer que sei o verdadeiro significado da palavra HARÉM.
JONAS: Mano, um lugar estupidamente luxuoso, com mulheres de todas as raças, tamanhos, tipos, espécies, roupas, cheiros, jeitos… mano, sabe o que é ficar de bauducco durante todo o período de permanência num lugar? CENTO E TRINTA E DOIS REAIS só para adentrar o recinto. Não havia programa por menos de DUZENTAS PRATAS. O quarto, incrivelmente maravilhoso, saía por mais CEM PRATAS, ou seja, o mínimo para não sair da balada de BLUE BALLS, 132 + 200 + 100 = QUATROCENTOS E TRINTA E DOIS REAIS.
PABLO: mas, a pergunta que não quer calar é: você aproveitou das benesses oferecidas pelo harém?
JONAS: CARALHO, imagina uma mina gostosa…
PABLO: hm, estou imaginando, com belos e largos quadris, uma bundinha redonda e dourada, peitos pequeninos e durinhos…
JONAS: Então, esta mina não estava lá, pois ela é TRASH!
PABLO: ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahah
JONAS: Mano, lá só tem DEUSAS DO SEXO!
PABLO: Meu deus…
JONAS: Carai, quanta coisa rolou, mano, foda descrever tudo. E o mais engraçado, ainda trombei um vizinho do meu irmão, o cara trabalha lá, que louco…
PABLO: Mano, me conta como você escolheu a sua mina…
JONAS: Nossa, mano, foi simplesmente a coisa mais difícil do mundo. Apertei tantas, vi tantas bucetas, tantas tetas, bundas que até Deus duvidaria da criação… E eu louco, pensando comigo mesmo: Caralho, se eu tivesse uma empresa eu quebraria fácil, mano, Vários empresários no bote, e o vizinho do meu irmão ainda disse que o barato tava muito fraco!!! Disse que Quinta e Terça são, acredite, TREZENTAS minas!!! Estou pensando em fazer um consórcio com vários camaradas, juntar uma grana e alugar um sítião first class, e chamar todas estas minas. Nossa, conversei com vááárias minas, mano. Tem tanto esquema, você não tem noção…
JONAS: Peguei uma carioca, mano, nossa… a mina era simplesmente uma DEUSA, com certeza o fincão mais desafiante da minha vida… A mina era alta, a cor da mina era incrível. Imagina uma mina bronzeada, então, a mina era muito mais… velho, o pézinho mais lindo que eu já vi na vida, pernas de dar vontade de sacar o pau e bater uma na hora. Peitos maravilhosamente siliconados e empinados, bicos rijos… nossa, mano… e os três fatores decisivos para a escolha: 1) Cabelo lisos e negros até a bunda, e por falar em bunda… 2) a bunda mais incrível do mundo, além do contraste incrivelmente perfeito da pele branca como a neve na marquinha do biquini com o bronzeado da bunda, e o que me fez fechar o pedido, mano, 3) olhos incrivelmente azuis atrás de um óculos Bookworm Bitches
JONAS: velho, o DESAFIO: Encostar o meu pau naquela mina e não gozar na hora…
PABLO: ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha é, mano, eu acho que também gozaria só de ver…
JONAS: Nossa, mano… não consigo parar de falar NOSSA… a mina tinha o verdadeiro sotaque do Rio… “Vuocê extá goxtando do jeitinhu qui eu xupuo u xeu pau?” Mano, descobri também para que serve a porra desses remédios pra deixar o pau durão: são exatamente para quando você vai fazer um rolê desses, nunca pra ficar panguando de pau duro com a mina em casa. Você goza e regoza e continua, mano, incansavelmente. Tô falando isso mas não usei porra nenhuma, mas seria a coisa mais perfeita se tivesse tomado uma porra dessas.
PABLO: Você gozou rápido? Deveria ter batido uma antes…
JONAS: Nem bati, demorei o máximo que pude, fui guerreiro, mas não tem jeito, mano, a mina já te deixa bobo de não acreditar que está ali comendo ela. Aí você começa, na boa, beijei na boca, chupei a buceta, lambi o cuzinho e chupei aqueles pézinhos como um louco, a mina também pirou, fiz a preza…
PABLO: É fácil rolar um esquema fora do putz?
JONAS: É sim, mano, só que essas minas não dão uma por menos de DUZENTAS PRATAS nem fodendo.
PABLO: Ok, duzentos, mas por quantas horas? quanto tempo você ficou?
JONAS: Aí é que está a tristeza do peão, é só UMA HORA, como em qualquer outro esquema. Mas, nossa, que euforia da porra que eu estava, fiquei e ainda estou… É muito caro e muito pouco tempo, mas vou te falar, mano, comer lá é foda, o quarto é simplesmente maravilhoso, cama que cabiam até três casais dando uma, tranqüilamente. E haviam tantas e tantas que fiquei na vontade… Nossa, é maravilhoso, mas ao mesmo tempo uma tortura. Se eu fosse rico eu comeria uma por dia… Eu viveria na putaria para sempre, eu acho… Apesar do que, ontem, bati um papo com o cara mais foda do meu trampo, o diretor de Marketing e sócio majoritário de toda aquela porra, mano, ele falando que já passou por todos os estágios da putanhice, colégio, faculdade, pós, mestrado e doutorado, mas disse que depois dos 30 você meio que cansa dessa vida e passa a dar importância para outras coisas. Hoje o cara acorda três vezes por semana às 4:30 para pedalar até até 7:30, e daí vai trampar e vai pra casa e dorme.
JONAS: Caralho, não consigo parar de pensar e lembrar de tudo… ai, ai, ai… que lembranças fodas, muita vontade de dar um bis, mano, você não tem noção… Se não fosse o meu chefe passar o gold lá, infelizmente não daria pra dar tanta grana assim num fincão de apenas 1 horinha, mas só não daria por causa do tempo, pois pelas minas eu pagaria até mais…
* Baseado em fatos irreais. Qualquer semelhança é pura coincidência.
17
Jan 09
Juá Nakutis – Pirulito
JUAREZ FELIPE NAKUTIS BARBOSA tem um nome tão grande quanto o próprio. Como seus 206 centímetros de altura já são o suficiente para praticar alongamento dos sentidos, seus amigos encurtaram as letras para o paulistaníssimo JUÁ, ou JUÁ NAKUTIS quando necessário.
Ele é mais do que um amigo, pois amigos tenho muitos, e o JUÁ transcende qualquer comparação a esse respeito. Nos conhecemos há exatos dez anos, quando participamos da mesma equipe numa gincana temática que acontecia todos os anos na escola. E como capitão decidi que ele seria o Poseidon (o símbolo da nossa equipe, numa gincana sobre mitos gregos). Despertou-se a inveja e o medo de Zeus, como nunca.
Juá tem um coração proporcional ao seu tamanho, e sempre há espaço para mais um. Não há uma única pessoa que não se encante com o SENSACIONALISMO BREGA que permeia toda a sua cativante narrativa. Juá é amor e humor, nunca única e vitalícia dose.
Na introdução, um vídeo que mostra um dos muitos talentos do meu irmão. Fazendo uma versão acústica de um dos grandes clássicos paulistanos dos anos 80, PIRULITO ganha uma cara totalmente nova (mas ainda assim safada) com a batida inconfundível do Juá. Não à toa, mandei o video para a competição promovida pelo Chiclets Adams, inspirada no programa Ídolos e apresentada pelo próprio Miranda.
11
Nov 08
Depois de Marcelo Camelo e Mallu Magalhães, Rodrigo Amarante e Maísa Silva assumem romance

Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante foram os principais compositores dos Los Hermanos, mas sempre rolou uma rivalidade não declarada. Diferente do Lennon & McCartney, Roberto & Erasmo e Morrissey & Marr, os dois brasileiros não compunham em parceria, e cada um cantava a própria criação. No Hüsker Dü as coisas também eram assim com o guitarrista Bob Mould e o baterista Grant Heart.
Após o fim da banda, Camelo foi fazer MPB, Amarante foi pra Califórnia tocar com o baterista dos Strokes. E não foi surpresa quando o trabalho do segundo me agradou muito mais. Amarante sempre me passou a sensação de surpreender mais do que o seu ex-companheiro de banda.
Recentemente, a notícias sobre o novo trabalho do Camelo foram ofuscadas pelo seu romance com a cantora Mallu Magalhães, com quem divide os vocais numa de suas novas canções. Camelo tem 30, Mallu tem 16. Não é sempre que temos um Jerry Lee Lewis e sua Myra Gale Brown.
Mas o Amarante não decepcionou. Em uma apresentação da sua banda, a Little Joy, em Nova Iorque, ele dedicou uma das canções para a sua nova namorada que estava no Brasil, trabalhando na televisão. No Brasil, mais precisamente nos estúdios do SBT, Maísa, a Shirley Temple tupiniquim, confessou a Silvio Santos que estava namorando, e que seu amor estava longe, pois “agora ele é um cantor de fama internacional”, revelou a garota prodígio.
Aguardamos por novidades. Agradeço a dica do colega João Pedro Ramos.
17
Jan 08
É Fantástico !
Quando criança, um dos meus passeios favoritos era a casa da minha avó, que ficava a alguns poucos quilômetros de casa. Além de ser ponto de encontro da primalhada, a vó sempre soube fazer os melhores pães de queijo deste canto da galáxia. Mas o melhor de tudo era a televisão, que sempre estava sintonizada no SBT.
Domingo no Parque, Qual é a Música?, Porta da Esperança, Namoro na TV… tudo lembrado com a nostalgia que este texto pede. Até a Semana do Presidente e o Jesus Cristo loirinho (…e eu gostaria tanto de chamá-lo de meu filho…) desfrutam das boas lembranças deste que, quando menino, gostava dos Domingos promovidos pelo Silvio Santos naquela primeira metade dos anos oitenta.
Mas era por volta das 19:30 horas que a briga começava…
Meus pais se levantando do sofá para irmos embora e eu insistindo para que ficássemos só mais um pouquinho, pois era a hora do SHOW DE CALOUROS. E não é que eu gostasse das palhaçadas do Sergio Mallandro ou das rabugices do Pedro de Lara. Muito menos pelo fato da minha avó se parecer fisicamente com a Aracy de Almeida. O verdadeiro motivo da minha birra era que, ficando ali para ver o Show de Calouros, eu escapava de assistir à Rede Globo.
Pois quando meus apelos eram ignorados, a primeira coisa que meu pai fazia ao chegarmos em casa era ligar a televisão no FANTÁSTICO. Todo o meu repertório de caras enfezadas ou chorosas era inútil. Minha mãe me colocava sentadinho no sofá e assim minha tortura psicológica começava.
Se hoje o clipe de Thriller, do Michael Jackson, causa no máximo risadas, na época ele foi responsável pelo meu medo do escuro por longos dez anos. E a coisa fica ainda pior se eu colocar a Zebrinha da loteria no balaio. Ela, com seus olhinhos que não paravam de piscar e aquela voz sintetizada, o meu medo só aumentava, mesmo fugindo para debaixo dos cobertores.
Mas o meu medo era multiplicado por todos os números da tabuada logo na abertura do que sempre foi chamado de “O Show (de horrores) da Vida”. Umas garotas dupliplusmultimega maquiadas (imagine os exageros da década de 80 levados às últimas conseqüências), usando roupas pseudo-futuristas e dançando num cenário idem, acompanhando a tradicional música tema com um medonho corinho uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu. Olha, eu enfrentaria o batalhão de zumbis de Thriller montados em zebrinhas falastronas, mas cagaria de medo só de imaginar as pavarosas garotas da abertura do Fantástico na minha frente.
Meu irmão mais velho, o Carlos, tinha prazer em gastar horas do seu dia tirando um sarro da minha cara “Como é que você pode ter medo de mulher; você é bicha, meu?”. Mas eu não tinha medo algum de mulher. Sempre amei minha mãe, minha avó e ainda morria de amores platônicos pela Gigi. E nenhuma delas usava aquelas roupas e maquiagens, e muito menos ficavam dançando pra lá e pra cá cantando o apocalíptico uuuuuuuuuuuuuuuu…
Um certo dia meu irmão chamou seus amigos para jogarem videogame lá em casa. O que me deixava muito bravo, pois nessas ocasiões nem parecia que o Atari 2600 também era meu. Um dos amigos do meu irmão era o Cezinha, o mais bagunceiro de todos, o que sempre tinha uma história engraçada na ponta da língua, principalmente as que falavam das suas namoradas.
E naquele dia ele contou algo que me deixou muito feliz… ele apareceu todo maroto, fazendo pose e dizendo que ele e mais dois primos tinham comido as garotas da abertura do Fantástico. Eu, que estava emburrado no meu canto, arregalei os olhos, mas não vi a barriga do Cezinha maior do que o normal, sei lá, vai ver ele já tivesse ido ao banheiro. O importante é que agora nenhuma daquelas mulheres horrorosas me assustaria nas noites de Domingo. De um pulo parei na frente do Cezinha, dei um abraço bem forte nele e saí correndo pro quintal, brincar feliz pelo resto do dia.
Passei o resto da semana com um sorriso que atingia as pontas das orelhas. Fiquei me gabando para os meus colegas de prezinho, exagerando o grande feito do amigo do meu irmão e dos seus primos que, juntos, comeram as garotas do Fantástico, e agora ninguém precisava mais ficar preocupado. Os dias de terror chegaram ao fim.
No Domingo seguinte eu estufava o peito e falava grosso, correndo pra lá e pra cá com uma toalha presa nas costas e com a cueca sobre o short… nada me botava medo. Meu pai até estranhou quando eu não choraminguei na hora de irmos embora da casa minha avó. Chegamos em casa e eu corri pro sofá. Fechei os olhos até que meu pai ligou a televisão e…
Ao abrir os olhos, vi outras cores, outras mulheres muito mais bonitas, sem aquelas maquiagens medonhas. E não havia aqueles cenários assustadores e muito menos o coro de uuuuuuuuuuuu, apenas um suave “….é fantááástico…” no final da abertura. Acho que o pessoal do Fantástico ficou com medo do Cezinha e resolveu que me assustar não era um bom negócio. Agora, se eu voltasse à assistir ao Show de Calouros, era pra torcer pro Cezinha ganhar o troféu de HONRA AO MÉRITO das mãos do Silvio Santos.
17
Jan 07
Escalando as pedras da praia do Arpoador
Para Juá.
É, mano, quase me fodi no Rio de Janeiro, o pior rola que já tomei na vida. Fui com a Marina, a mãe e o brother dela, o Pedro, e de última hora chamamos o Nando. Chegamos lá no dia 28 de Dezembro, por volta das sete da noite, e ficamos na casa de um alemão, marido da prima da minha sogra, ali no bairro das Laranjeiras. Lugar à pampa, não dava pra ver morro nem nada, tinha uma padoca do lado, umas ruas sossegadas, dava pra fazer um rolê a noite de boa pra beber umas breja ou dar um burning. Só tinha uma zica, que era longe da praia, mas beleza, a gente tava de carro mesmo.
A noite a minha sogra falou pra gente dar um rolê na Lapa, um lugar da hora, vai sempre uma galera. Dai a gente se arrumou e foi pra lá. Paramos pra perguntar onde ficava e achamos o lugar rapidão, sem crise. Mas é foda, mano, nossa, parece que tem mais flanelinha naquela porra do que carro pra guardar, e os caras ficam gritando que nem uns retardados, parece que vão tomar o carro da sua mão. Daí a gente preferiu colocar o carro no estacionamento, vai saber qual a viagem desses malucos daqui…
Saímos no rolê, pra ver qual é que era a do pico, e era muito estranho, uma galera muito diferente, mal encarada e tal, e olha que a gente mora na perifa. Dava pra ver uns neguinho dischavando no meio da rua, uns bêbados, umas minas com a cara daquelas puta pique Princesa da Noite, muitos caras parecidos com os los hermanos, ficamos sem saber aonde ir. O Nando sugeriu um bar, mas lá era fechado, mó calor da porra, e dai falei pra gente ficar em outro lugar, mais à pampa.
Nossa, daí a gente foi para um bar de esquina, sentou nas cadeiras do lado de fora a primeira merda, só tinha Chopp. Cê pode ficar meio puto, mas, mano, chopp é tipo suco de cerveja, e o do lugar era pior ainda, até a cor do bagulho era zuada, e eu pensando, carai, como ninguém ali tava percebendo que tava fazendo papel de trouxa, foda. Mas antes que a gente pudesse começar a falar dessa merda de chopp, ganhamos uns caras tretando do outro lado da rua. Nossa, um deles tava meio longe e quebrou uma garrafa e ameaçou ir atrás do outro maluco. Nossa, nessa hora colou um carro da polícia, sem placa, e já saltaram dois gambés com umas armas que a gente não vê com os coxinhas daqui, umas armas cabulosas. E todo mundo ali bebendo aquela porra daquele chopp podre de boa, como se fosse normal. Ah, mano, daí desencanamos e saímos fora.
Ainda fomos pra Copacabana, a Marina foi dirigindo, e chegamos ali na Avenida principal, que beira a praia, e já colou a porra de um outro flanelinha pedindo para estacionarmos ali na frente do Bobs, aonde os caras queriam parar pra tomar um milkshake de Ovomaltine. Esse flanelinha tava usando um colete tipo da prefeitura, e achei que de boa, não ia rolar treta. Nossa, daí já chegou um neguinho também de colete e disse pra Marina que era 5 conto pra estacionar, foda, mó extorsão do caralho. Só que o cara que pediu para estacionarmos disse que não era pra dar a grana pro neguinho, e sim pra ele, mas aí foda-se, né, a gente pensou que era tudo da prefeitura, que se virem. Deixamos os caras ali discutindo. Dai o neguinho filha da puta só deu dois conto pro maluco que tinha chegado primeiro na gente, começaram a bater boca, foi foda. Marina começou a chorar de nervoso, mó impressão errada da cidade, tava zicada aquela noite. Só deixamos os caras tomarem o milkshake e voltamos pra casa.
Dai que foi foda no outro dia. Fomos lá pra Ipanema, pegamos umas cadeiras com um tiozinho gente fina chamado Black Russo, que também trocou as cervejas que compramos, demos as quentes e ele deu umas geladas pra gente. Ficamos ali na areia de boa, e depois o Nando, meu cunhado e eu fomos lá pras pedras do arpoador, fazer aquele rolê. Ficamos lá ganhando uma galera que tava fumando um pouco mais na frente, até falei pra gente colar ali mais perto das pedras, mas o Nando ficou meio cabrero e falou pra gente ficar ali mesmo, de longe. Dai ficamos ali na brisa mais um tempo.
Depois a gente voltou junto da Marina e da minha sogra, e dai chamei minha mina pro rolê, pra gente ir lá nas pedras, que é à pampa, dá pra ganhar Ipanema inteira dali. Chegamos nas pedra se já lancei da gente ficar ali na beirada, tinha um maluquinho ali de boa, nem pegava nada como o Nando tinha feito o apavoro. Nossa, daí que foi a panguada, ficamos ali uma merreca até que do nada uma onda vem por cima da gente, e minha carteira que tava do lado quase vai pro saco. Mano, no que eu fui comentar da carteira com a Marina, veio uma onda fodida e fez a gente escorregar pelas pedras que nem os Goonies, nem deu tempo de cantar a música da Cindy Lauper.
Caimos na água já no apavoro, principalmente porque não dava pé, e eu já pensava “nossa, já era, nos fudemos”. Uns dois dias antes, ainda em São Paulo, a gente foi assaltado por dois nóias filhosdaputa, e se não morremos naquele dia, agora era a hora, já era. Como eu não sei nadar, o meu primeiro pensamento foi querer subir a parada de volta, mas as pedras tavam muito escorregadias, e toda hora vinha uma onda arregaçando. A Marina foi mais esperta e já gritou SOCORRO, e eu comecei a gritar junto, mas eu ficava pensando se alguém ia arriscar a pular na água pra pegar dois panguões. E nessa a gente tentou subir de novo as pedras, eu pedindo pra Marina ser forte e se segurar, e foi nessa hora que eu vi um maluco naipe Panthro dos Thundercats, com uns pés-de-pato na mão, daí já fiquei aliviado, gritei para ele ir salvar a mina primeiro enquanto eu me virava, subindo pelas pedras. Mano, acho que desenvolvi umas garras naquela hora, nem sei como consegui me agarrar no meio daquela porra daquele lodo e craca. Já quase no final veio uma onda e pooooooow, me jogou numa fenda, prendi o pé, o coração arregaçando. Daí aquele maluco que a gente viu na beira logo que chegou nas pedras me ofereceu ajuda, deu a mão e começou a me puxar pra cima.
Já saí com uns zoião pique Mussim, vi que a Marina já tinha saído da água, tava deitada descansando, e já veio um bombeiro de longe, dando mó carcada “cês tão viajando, porra, ficar perto da pedra, cês querem morrer merrrmo, hein?”… Eu só consegui olhar pros arregaços em tudo quanto era lugar, braço, o joelho tava em carne viva, o dedão com a pele toda aberta arrastando no chão, toda estourada, os pés cheio de buracos, nem conseguia pisar direito, tudo ardendo pra caralho, e sangue, muito sangue. O bombeiro mandou eu ficar deitado, e toda hora tomava carcada porque levantava pra ver como a Marina tava “Ela tá legal, vocês são uns loucos mesmo, não pode ficar ali, podiam ter se fodido mesmo”. Perguntaram se a gente podia ir andando, e fomos pelas pedras até chegar ao Posto 7, aonde ficava a base dos bombeiros.


