musica


23
Mar 10

Japandroids – Young Hearts Spark Fire

Sei pouco dos Japandroids. São canadenses de Vancouver, e são uma dupla. Um dos caras tem o mesmo nome do Darth Vader: David Prowse. E as coincidências populares não param por aí: a capa do seu último celebrado álbum (com o ótimo título POST NOTHING) tem clara inspiração no Marquee Moon do Television. O nome da banda vem de duas idéias menos inspiradas para o nome da banda. Não sei como os descobri, mas quando comecei a ler sobre eles aqui e ali descobri que já havia baixado Post Nothing, mas ainda não havia escutado. Escutei e gostei. Marina diz que é uma mistura de Smashing Pumpkins com Bloc Party, mas sem os excessos de ambos. Apenas uma sinceridade gritada ao som de boa guitarra e bateria. O vídeo acima é da minha canção preferida.


10
Mar 10

Top 5 Roberto Carlos

Há alguns dias deu-se início a Exposição Roberto Carlos na Oca, Parque do Ibirapuera. Ela fica por lá até Maio, por isso não vacile.

Nesse dia uma turma começou a falar sobre o rei e daí não demoraram a elencar canções preferidas. Nesse embalo propus ao amigo Inagaki que começasse um Top 5 de canções preferidas, devidamente comentadas, no seu blog. Ele fez e cá estou dando sequencia. A proposta é que cada pessoa escolha 5 músicas, de preferência com o áudio, e disserte sobre elas. Além disso, recomenda-se escolher outras pessoas cujas listas você gostaria de ler.

Bem, vamos às minhas:
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5
Mar 10

Coachella Festival, de 1969 a 1998

Quando a escalação oficial do Coachella Festival está para sair (normalmente com 3 meses de antecedência) começam a pipocar pôsteres falsos que animam e aumentam a ansiedade dos que pretendem encarar 3 dias no deserto da Califórnia. Há algum tempo um usuário do fórum do festival deu uma idéia: criar uma série de pôsteres simulando edições fictícias, de outras épocas. E a organização do fórum gostou e resolveu fazer um concurso oficial. Surgiram belos trabalhos de 1969 a 1998.
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24
Jan 10

Mixpod #01-2010

Minha primeira playlist do ano, com as músicas que eu tenho ouvido com mais frequência nos últimos dias.


MusicPlaylist
Music Playlist at MixPod.com


22
Dec 08

Melhores álbuns de 2008


01 – LITTLE JOY
Little Joy

As composições daquele barbudinho cantor dos Los Hermanos que não pega a Mallu sempre me pareceram não querer questionar o coração, aceitando os seus desmandos e tirando daí o seu sustento e gozo. A impressão é que essa relação tranqüila com o acaso também é usada em sua vida. Ou quem imaginaria uma parceria com o baterista dos Strokes, que resultaria no elo perdido entre duas das mais importantes bandas desta década? Little Joy é trilha sonora para transar gostoso com mulher morena em um tarde preguiça de sol.


02 – SEASIDE ROCK
Peter Björn And John

À primeira ouvida pode ser um disco bem chato e tosco, ainda mais se você acostumou os ouvidos com o assovio da popíssima “Young Folks”. Lançado de maneira obscura e com a proposta de ser uma trilha sonora da infância dos caras da banda, Seaside Rock me serviu como um tapa na cara, um alerta para tratar a música com mais carinho, não fazendo dela apenas coadjuvante para as tarefas cotidianas. A música mais do que nunca pede atenção, e recompensa com detalhes perdidos num ônibus lotado, na pressa que temos de ouvir tudo ao mesmo tempo agora.


03 – HOLD ON NOW, YOUNGSTERS
Los Campesinos

Uma banda que me chamou a atenção pelo nome de uma de suas canções: HA HA HA, NÓS DESTRUÍMOS AS ESPERANÇAS E OS SONHOS DE UMA GERAÇÃO DE FALSOS ROMÂNTICOS. Só isso serviria para entrarem na lista, mas esta banda possui um arsenal de canções caóticas e engraçadas que lembrarm o Architecture In Helsinki, mas com menos criatividade e mais urgência. E este é só um dos dois álbuns (ambos foderosos) que eles lançaram este ano.


04 – PARTIE TRAUMATIC
The Black Kids

Black Kids é daquelas bandas que cheiram e tem gosto de festa. Não há como não querer cantar as músicas acreditando que a felicidade é um estado constante. Este Partie Traumatic foi uma das muitas coisas boas que meu primo e amigo Lucas me indicou, e dessas indicações esta foi a que mais gostei.


05 – DAY & AGE
The Killers

Vou copiar descaradamente o que o Matias escreveu sobre Day & Age.

“Meu respeito à graça e à virtude/ Minhas condolências ao bem/ Mande lembranças à alma e ao romance/ Eles sempre fizeram o melhor que puderam/ E adeus devoção/ Você me ensinou tudo que sei/ Despeça-se/ Deseje-me bem/ Você tem que me deixar”. Tá ali, no meio de “Human”, a declaração de que os Killers são outra banda. Day & Age é praticamente um renascimento do grupo de Las Vegas, que deixa para trás a pompa e a circunstância do rock de arena para abraçar o pop radiofônico e a pista de dança (características já presentes na discografia da banda, mas levadas ao extremo). O olhar, no entanto, ainda é majestático e grandiloqüente, embora, como o próprio Brandon Flowers sublinha, toda fleuma e sensação de auto-importância tenha saído de cena. Agora o Killers é uma banda que contempla a vida mundana, olhando tudo de cima para baixo não mais com empáfia, mas com pena, como o alienígena de “Spaceman”. Alinhando-se a um cânone que é mais chegado à canção pop e ao piano do que ao refrão e o riff, de artistas como David Bowie, Pet Shop Boys, Spandau Ballet, Tears for Fears, Soft Cell, George Michael, Human League e Pulp. Ao trocar a estética do Queen pela do Duran Duran, o Killers fez seu disco mais consistente e divertido, ainda que melancólico e pensativo.


06 – ACCELERATE
R.E.M.

Minha banda preferida não faltaria à festa. Accelerate é a resposta da banda que sentiu e não resistiu às pressões dos fãs e dos críticos que insistiam que a banda precisava largar o experimentalismo dos 3 últimos álbuns (que eu considero ótimos) para voltar à abraçar o rock rápido que fez a fama da banda no começo dos anos 80. Cometeram Accelerate, um disco de rock comum, mas do R.E.M., banda que faria em atlo estilo até um disco de Carimbó.


07 – FIELD MANUAL
Chris Walla

Chris Walla é guitarrista do Death Cab For Cutie. Contudo, fico com impressão de que ou o Ben Gibbard (líer do DCFC) não quis usar as idéias do amigo ou este não tinha mais idéias depois de fazer o álbum. Tudo depende quando “Field Manual” foi concebido. O que importa, no caso, é que este trabalho solo é muitíssimo melhor do que o álbum do Death Cab For Cutie lançado neste ano.


08 – A REDENÇÃO DOS CORPOS
Violins

Violins é a banda mais inventiva e atrevida dos últimos 20 anos. Fizeram álbuns conceituais, com letras e orquestrações pouco comparáveis em terras brasileiras. Beto Cupertino escreve sobre relacionamentos, guerras, roubos e loucura com igual facilidade. Nâo é difícil imaginar que este último trabalho da banda, que versa sobre as mais diversas faces da fé, entraria facilmente nesta lista.


09 – FEED THE ANIMALS
Girl Talk

Este foi um ano ainda mais repleto e mashups de todos os gêneros, e quando o negócio é música difícil não ficar bobo com esse Frankenstein do Girl Talk. Cada canção é uma colagem bem feita do que foi feito de bom na música pop nos últimos 30 anos. Só no vídeo acima é possível reconhecer o Tag Team, Big Country, Cardigans, Afrika Bambaataa, entre outros. E a diversão fica não só por conta da música dançante mas também no exercício de descobrir quais são as canções usadas por Gregg Gillis.


10 – OCEANS WILL RISE
The Stills

Os Stills voltaram, e não só com um novo álbum mas com um trabalho que remete aos bons tempos de “Logic Will Break Your Heart”, primeiro deles. Se por uma lado há um certo desapontamento por não terem ousado como no álbum anterior, eles entregam aqui o que melhor sabem fazer e o que eu gosto muito, guitarras rasgantes e vocais apaixonantes mas sem frescuras.


11 – O
Tilly And The Wall

Elas poderiam ser apenas mais uma banda de meninas gostosas (e são). Mas elas dispensaram a bateria e no seu lugar as duas vocalistas se revezam no sapateado, capitaneado por uma morena responsável só por manter a percussão. ‘Poor Man’s Ice Cream’ parece um encontro do Arcade Fire com o Fleetwood Mac e dançariinas de Flamenco.


11
Nov 08

10 anos de Up, do R.E.M.

Este artigo foi escrito em Novembro de 2008, em homenagem aos 10 anos de um dos meus álbuns preferidos de todos os tempos, e também para marcar a segunda passagem da banda pelo Brasil (a primeira em São Paulo), que aconteceria dias depois, e que ainda não escrevi a respeito :P .

A retomada deste aconteceu depois que vi o Diego Maia comentando sobre como um par de fones de ouvido decentes fazem muita diferença. Era um argumento que eu usava com freqüência na comunidade do R.E.M. no Orkut, quando o assunto era o penúltimo (e detonado) albúm da banda, “Around The Sun”, mas que serve para também para explicar o quanto esse fator maximiza a experiência de se ouvir UP.

Outra coisa interessante que só notei depois de um toque do Pedro Perurena, foi perceber que UP tem muitas semelhanças, estéticas e históricas, com Adore dos Smashing Pumpkins. Ambos álbuns pós OK, Computer (mas pré Kid A), e paridos de maneira dolorosa, com o desafio de empreitar reinvenções depois da saída de seus bateristas, personagens essenciais no processo criativo e na força das bandas. Esse assunto merece um post exclusivo

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R.E.M. - Up (1998)

Em Green (1988), há um discreto número 4 na capa do álbum. No álbum anterior, Document (1987), há um 5. Isso fez com muitos fãs começassem a levantar uma absurda ‘teoria da contagem regressiva’, obviamente negada pela banda. O curioso é que, depois do suposto álbum ‘0‘, New Adventures In Hi-Fi (1996), as coisas mudaram radicalmente na vida do R.E.M.

Vendas inexpressivas depois de assinado o maior contrato do mundo da música até então (80 milhões de dólares, além de outras boiadas), empresário demitido depois de uma acusação de assédio sexual, fim da parceria com o produtor de longa data, doenças (hérnia, apendicite, aneurisma cerebral ) atacando os membros da banda, e que fizeram com que o baterista Bill Berry (que foi quem sofreu o aneurisma) quisesse sair da banda, sem antes fazer com que os três membros remanescentes concordassem em continuar a banda.

O R.E.M. de 1998 era um trio, com novo produtor, com o desafio de parir um trabalho ainda melhor que o anterior. Para muitos isso significava vendas no mesmo nível dos álbuns feitos no começo dos anos 90. Para a banda, significava não só a provação de ter que se reinventar com a nova formação mas também fazer algo à altura de Ok Computer (para muitos, o melhor álbum daquela década), do Radiohead, banda do Thom Yorke, fã confesso de R.E.M. e amigo pessoal do Michael Stipe.

Para a difícil tarefa, a banda convidou o produtor Pat McCarthy, com o auxílio do engenheiro de som Nigel Godrich, produtor do Radiohead. Certamente, a presença de ambos foi decisiva na nova sonoridade da banda, ainda mais sofisticada e ousada se comparado com os maravilhosos trabalhos anteriores.

Contudo, para muita gente, esse flerte do R.E.M. com o experimentalismo foi entendido como mais uma tentativa de uma banda de rock mostrar-se moderna através do uso de elementos eletrônicos (artifício muito usado por bandas – com casos de sucesso e fracasso – na segunda metade da década de noventa), quando a verdade é que UP mostra uma sábia orquestração de elementos poucas vezes compatibilizados, com influências que remetem, entre outras coisas, aos Beach Boys e ao Roque Progressivo do Genesis (com Peter Gabriel).

Também foi a primeira vez que um álbum do R.E.M. tinha suas letras impressas no encarte. Talvez porque, mais do que nunca, Michael Stipe sentisse a necessidade de deixar o mais claro possíveis os seus versos sempre difíceis. As canções falam de pessoas distintas que em comum compartilham a solidão.


“Daysleeper”, primeiro single de UP

Airportman, faixa de abertura, fala de um cara que trabalha num terminal aeroportuário (Creature of habit). Suspicion é cantada por um cara perdido em suas imaginações, avesso à qualquer interferência externa (Step down, I’ll dream tonight). At My Most Beautiful é uma linda canção de amor esquizofrênica (I though I saw a smile).

The Apologist é um exercício perpétuo de desculpas (Thank you for listening, goodbye) com uma lina de guitarra que figura entre as melhores da década de 90. Sad Professor é outra na qual o protagonista professa suas imperfeições e incostâncias (I’m drifting in and out of sleep).

O terceiro e último ato de UP começa com Walk Unafraid, sombria com refrôes tensos, mostra a luta em manter-se forte frente às quedas sempre comuns (I just want to hold my head up high). Curiosamente, Why Not Smile funciona como uma continuação (The concrete broke your fall). Daysleeper é uma contemplação da solidão num trabalho noturno (Fluorescent flat caffeine lights) e tem os vocais de apoio mais lindos de todos.

Diminished é comandada por um baixo aterrorizante, um guitarra melancólica, e barulhinhos que remetem à loucura vivida pelo réu que tenta defender-se de um crime passional (Can I charm the jury, my defense? Maybe I’m crazy). Parakeet fala de sonhos de liberdade (Baby, you can start to breathe). O fim acontece com Falls To Climb, com a morte daquele que escolheu o papel de bode expiatório (someone has to take the fall, why not me?).

O conceito de UP é todo construído através dessas pequenas histórias de pessoas ordinárias anunciando as formas distintas de solidão. Mas a grande sacada de UP está em mostrar que toda e qualquer miséria é confrontada com a esperança, do funcionário que enxerga grandes oportunidades ao réu confesso que espera a absolvição. Através de pessoas comuns o R.E.M. consegue comunicar a sua situação na segunda metade dos anos 90. Curiosamente, a turnê de UP é a melhor fase ao vivo da banda (fase essa encerrada com honras aqui no Brasil, em 2001).

UP, como muitos outros álbuns do R.E.M., foi concebido para ouvir com calma, com um bom equipamento de áudio, para que todas os detalhes, toda a genialidade de sua orquestração seja percebida. Até hoje me surpreendo com um ou outro blip ou toin, uma guitarra ou uma voz em segundo plano.

Eu gosto tanto de UP que ele inspirou o layout deste blog (N. do E. – O blog, neste caso, é o antigo Enloucrescendo.com) :)

FAIXAS:

1. “Airportman” – 4:12
2. “Lotus” – 4:30
3. “Suspicion” – 5:36
4. “Hope” (Leonard Cohen, Buck, Mills, Stipe)1 – 5:02
5. “At My Most Beautiful” – 3:35
6. “The Apologist” – 4:30
7. “Sad Professor” – 4:01
8. “You’re in the Air” – 5:22
9. “Walk Unafraid” – 4:31
10. “Why Not Smile” – 4:03
11. “Daysleeper” – 3:40
12. “Diminished”² – 6:01
13. “Parakeet” – 4:09
14. “Falls to Climb” – 5:06


17
Jan 07

Idlewild – Make Another World (2007)

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Antes de mais nada, algumas observações precisam ser feitas.

1 - Um dos motivos que me faz cada vez mais apaixonado pela minha esposa é a possibilidade de retornarmos à infância, baixando a guarda e abrindo o coração, sem medo de alcunhas melequentas, gracejos sem hora marcada, beijos na chuva e gritos no meio da rua, cantando músicas sem dar importância aos tropeços no nosso inglês todo torto.

2 – O R.E.M. tornou-se uma das melhores bandas dos anos 80 porque seus trabalhos mostravam uma versatilidade que permitia poucas comparações com seus contemporâneos alternativos. Mas tudo dentro do velho e bom esquema guitarra baixo-bateria-voz [mais um eventual teclado do baixista Mike Mills]. Eles flertaram com todas as possibilidades dessa combinação básica, mas sempre soando originais.

3 - Todo o conceito de música, do momento em que ela é produzida até o seu consumo, mais do que nunca, está em um processo de revolução e evolução constantes. Para a sorte de todos, isso resume-se em uma crescente disponibilidade de informações para um número cada vez maior de pessoas.

4 - Só voltando um pouco ao R.E.M., lembro que em algumas discussões no Orkut eu argumentava que as pessoas falavam mal do último disco da banda porque suas caixinhas de som eram ruins. Para ouvir um trabalho feito pela banda, principalmente a partir da 1988 (quando Green é lançado pela Warner) em todos os seus detalhes, é imperativo, no mínimo, um fone de ouvido decente ou, na melhor das hipóteses, um home theater (não à toa a banda relançou as obras que cito em formato 5.1).

Agora, ASSISTA a este video.


Idlewild – If It Takes You Home

Há mais de um ano que eu não pensava no IDLEWILD. Culpa do irregular Warning / Promises (2005), que me fez ir na contramão da minha própria crença de que a banda era uma espécie de R.E.M. 80′s em pleno anos 2000 (menos pela sonoridade, e sim pela qualidade na heterogeneidade das canções, sempre construídas sem medo de usar apenas voz e violão ou gritos desesperados acompanhando todos os instrumentos no volume máximo). Ainda pior, suspeitei que a nova grande influência da banda era o Counting Crows (cujo primeiro disco August And Everything After, com a ótima, sim, Mr. Jones é um disco muito bom, o resto da obra é uma tristeza lamentável).

Eis que eu descubro que o Idlewild lançou um ÁLBUM NOVO dia05 Março de 2007. Sim, você leu corretamente. A forma como me expresso está de acordo com a realidade, se constatarmos que a maioria das obras musicais vazam na internet antes do seu lançamento nas lojas. Uma forma EFICIENTE e ÓBVIA da banda fazer a divulgação do seu trabalho sem a necessidade [e a boa (má) vontade] das rádios, revistas e MTV (R.I.P.). Um álbum lançado na internet é o melhor termômetro para uma banda, que pode observar a repercussão em blogs, orkut, fóruns, e não apenas nos espaços da crítica “especializada“. Além de garantir que, em caso positivo, todos já estejam cantando suas músicas nas apresentações ao vivo.

Ouvi Make Another World, e a primeira constatação foi: 10 canções em pouco mais de 34 minutos. Para mim, a quantidade e duração mais do que adequadas. Mas antes do PERFEITO, adjetivo que caracteriza as coisas que conquistam o meu coração, é necessário dizer que não foi uma paixão à primeira audição, por culpa da má qualidade das minhas caixinhas de som (e confesso também uma certa desatenção, pois eu estava a realizar outras tarefas). Logo após ouvi-lo, fui conversar com Marina, e expus à ela minha preocupação: o Idlewild, uma banda que sempre teve o meu carinho desde o primeiro encontro (com a irrepreensível e digna de aplausos A Modern Way To Letting Go), havia me decepcionado pela segunda vez seguida.


Idlewild – A Modern Way To Letting Go

Mas foi só eu armazenar as canções no meu MP3 Player, para ouvir no caminho do trabalho, que a história virou outros quinhentos. Ouvi a primeira faixa, In Competition For The Worst Time, e já tomei um susto, tudo lembrava as coisas boas do tempo dos quatro primeiros discos, as guitarras no peso ideal, a voz do Roddy Woomble que sempre emociona e empolga, nos fazendo cantar junto (e alto) as suas palavras, numa estrutura já característica do Idlewild, com a repetição de algumas palavras através dos versos. A segunda faixa segue numa estrutura semelhante, e daí já temos aquela sensação de retorno à infância, de renegar o ‘amadurecimento’ do disco anterior, e por aí permitir-se à uma nova (r)evolução. E é na terceira que o Idlewild mostra com maior ênfase a sua característica, que é a heterogeneidade, na dançante No Emotion, fazendo par sem fazer feio, com a bandas que se consagraram nas pistas como Franz Ferdinand e Killers.

E dentro do ônibus eu balanço a cabeça sem parar, e pratico o mais aloprado dos air drums, para acompanhar a paulada de dois minutos If It Takes You Home. E daí a ZICA: a pilha (recarregável) acaba, e eu não penso duas vezes, dou sinal para o ônibus parar. Desço, e corro até uma padaria para pagar ultrajantes R$ 7,50 por um par de AAA. Mas a extorsão é compensado já nos primeiros instantes em que espero por um novo ônibus, sem medo de chegar atrasado no trabalho, ao som da canção que havia sido interrompida, e feliz, MUITO FELIZ.

E olha que eu só falei da primeira metade do disco. A segunda parte começa desacelerando o ritmo até então frenético, dando espaço para respirarmos ao som de Future Works. E no começo de You And I Are Both Away, que tem um crescendo (que agora posso dizer) PERFEITO, relembrando a estrutura de American English, talvez o maior sucesso comercial da banda (e um dos meu discos preferidos de todos os tempos).


Idlewild – American English

As três músicas restantes conseguem o mesmo efeito. E é impossível não querer cantar junto, acompanhar a melodia com as mãos e a cabeça e todas as outras partes do corpo que possam ser utilizadas nesse ritual. Em determinado ponto da última canção, Finished It Remains, o que parece ser um orgão distorcido dando suporte para a voz de Woomble, passa aquela sensação que acomete dois amantes que sofrem com a distância, ao perceberem que a hora de um deles ir embora está chegando, forçando-os, quase que inconscientemente, a um clímax ambicionando desafiar a inexorabilidade do tempo.

IDLEWILDMake Another World
Lançamento: Março de 2007

1. In Competition For The Worst Time (2:42)
2. Everything (As It Moves) (3:22)
3. No Emotion (3:04)
4. Make Another World (4:06)
5. If It Takes You Home (2:06)
6. Future Works (4:16)
7. You And I Are Both Away(3:50)
8. A Ghost In The Arcade(2:48)
9. Once In Your Life (4:29)
10. Finished It Remains(3:53)

REFERÊNCIAS:

. Página Oficial
. Wikipedia(Em Inglês)
. Orkut