. 2001 / O ônibus chegou na rodoviária com duas horas de atraso. A chuva já vinha de longe, e mesmo ali não dava sinais de cansaço. Agora éramos dois desconhecidos, a cidade e eu. Como dois estranhos numa sala de espera sem revistas ou jornais de ontem. Não sabíamos por onde começar uma conversa. Eu querendo saber onde tu estavas, mas sem jeito de perguntar pra tua cidade, que também parecia não dar muita bola pra mim, sei lá, a chuva continuava forte, ignorando meus sonhos, contigo num vestido de flor, comigo sem-vergonha. Olhei mais uma vez pra cima, pros pingos que apareciam aos montes depois das luzes dos postes. E não percebi quando você me puxou pelo braço: Ei, nem tá chovendo tanto, assim, vai. Sei que você é doce, mas também não é feito de açúcar, vem!!! Mas eu estava derretendo, sim. Então corri mais rápido e parei na sua frente, e te cingi nos meus braços e boca.
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relacionamentos
10
Mar 10
Os 5 melhores beijos que eu não dei
17
Jan 10
Silvana Durante na velocidade da luz
A bancária Silvana Durante inquieta-se e une os punhos, que passeiam à brevidade de um segundo pelo espaço entre o canto dos lábios e sua bochecha úmida. No caminho, ela expira um gemido e inspira o próprio perfume misturado aos odores de cigarros e suores, enquanto comprime os seios com os antebraços unidos no lançamento: um movimento rápido como um tiro disparado para o alto, cuja bala revolve ao presente da gravidade com igual violência. Ela então joga os ombros para trás, projetando o peito em ascendência, as tetas atiram, atiram-se.
Ás vezes seus quadris ameaçam não comportar o tamanho do caos, em movimentos que denunciam a incoerência entre suas pernas e cintura. A cada instante, suas poses sugerem um novo e absurdo símbolo alfanumérico, a correspondência visual para os sons desengonçados que escapam da sua boca em desgovernada companhia de saliva, soluço, suor, silvo e sorriso; abrindo espaço para os seus desejos de entradas: sorriso, salamaleque, sarro, sonho, saliva.
Seus olhos funcionam ao avesso, perdidos no que só ela faz questão de enxergar. E sem a mínima vontade de compartilhar dos seus segredos, ela justifica numa gargalhada todos os movimentos espantosos que o seu corpo consegue alcançar: Porque ela sabe da parvalhice de todos naquela pista de dança. Somos nós, sou eu, que só vejo a música transfigurando-a, alheio ao que se passa no espaço infindável de sua calcinha.
17
Jan 09
O primeiro amor platônico a gente nunca esquece
Em 1985, as rádios tocavam exaustivamente os sucessos do rock nacional. Mas para mim, a canção mais importante daqueles dias era a do ALECRIM, que embala a história que eu vou contar a partir de agora…
Alecrim / alecrim dourado / que nasceu no campo / sem semear / Oh meu amor / quem te fez assim / pois a flor do campo / é o alecrim (…)
Cantávamos a plenos pulmões, nós os alunos da pré-escola da Tia Rosângela. Toda as Sexta-Feira visitávamos a casa de algum colega da classe. A turma era organizada em duas colunas, meninos e meninas, e cada menino dava a mão para a menina ao lado. E eu sempre ficava ao lado da garota mais linda da turma, Regiane Cristina Cerqueira, a Gigi, como a conhecíamos.
Minha fragilidade sentimental (que acompanha-me até hoje) fez com que eu me apaixonasse pela Gigi à primeira vista. Vi seus olhos ligeiramente puxados, que fechavam-se quando sorria, enquanto eu a observava, boquiaberto. Aquele agasalho azul marinho da Adidas, sobre o seu vestido azul-claro com detalhes vermelhos, aquilo era para mim a mais perfeita síntese da harmonia. Então ouvi sua voz, que era tão doce quanto uma laranja lima (este era o meu parâmetro de doçura), e então confirmei a minha expectativa, de que ali encontrava-se a garota mais linda do mundo.
E nem sob tortura saberão para qual time eu torcia até aquela tarde de 1985 quando eu vi Gigi chegar no prezinho com uma camisa listrada do São Paulo Futebol Clube. E eu decidi que aquele seria o meu time do coração, pelo resto da minha vida. Desde então se choro ou sorrio vendo as peripécias do Tricolor do Morumbi eu só tenho a agradecer à Gigi.
Em casa, os desenhos animados japoneses me ajudavam a matar o tempo, enquanto não chegava a hora de ir para a escola, e rever a Gigi. Mesmo ainda fazendo xixi na cama (o terrível segredo), e não sabendo amarrar os cadarços do próprio tênis, eu me sentia responsável o suficiente para namorar a Gigi. E o fato de ela não saber nada disso era um detalhe relevante. Num dos muitos passeios da turma, quase fui privado de sua companhia. A Tia Rosângela colocou o Jaime no meu lugar. Mas para a minha sorte, ele estava com o braço quebrado, e eu voltei ao lugar que era meu por direito. A Gigi costuma levar um lencinho branco para enxugar o suor de nossas mãos. Eu flutuava de maneira a fazer inveja ao Charlie Brown apaixonado pela Garotinha Ruiva.
Mas o ano de 1985 acabou, levando consigo os passeios, o alecrim, e principalmente a Gigi. Percebi, então, que só voltaríamos a nos ver em 1986, quando voltássemos às aulas, na primeira série. Durante as férias, sempre que minha mãe ia ao supermercado, eu procurava acompanhá-la, na esperança de que a Gigi estivesse na companhia da mãe dela. Mas isso nunca ocorreu.
Então, chegou o primeiro dia de aula, e o coração disparou. Ainda mais quando vi o pátio da escola lotado, enquanto uma funcionária chamava os alunos, em ordem alfabética, para suas respectivas salas. Depois de algumas Cláudias, Elaines e Paulas, o nome Regiane Cristina Cerqueira foi chamado e eu pude, enfim, vê-la novamente depois de meses, subindo as escadas. Mas suas mãos cobriam o rosto contendo o choro (até hoje não entendo por que muitas crianças choram no primeiro dia de aula). Foi a última vez que a vi…
No mesmo ano eu fui transferido para outra escola e assim minhas esperanças de reencontrar a Gigi diminuíram. Restava-me tentar encontrá-la pelas ruas, coisa que se tornou impossível depois que eu mudei para uma nova casa em um novo bairro. O tempo passou, levando junto outros amores platônicos, mas sem o mesmo significado desse primeiro…
Nove anos depois, em 1994, eu estava prestes a entrar numa nova escola, no primeiro ano do segundo grau. Fui até a casa da minha prima e amiga, Eliana, para contar a novidade. Ela pediu para que, logo que eu chegasse na sala, procurasse pela irmã de seu namorado. – Qual é o nome dela? – Regiane – Regiane do quê? – Regiane Cristina Cerqueira.
Fiquei tão boquiaberto quanto em 1985, quando eu a vi pela primeira vez. Comecei a pensar nas inúmeras possibilidades que o reencontro poderia proporcionar. Mal agüentei os dias que se arrastaram, até chegar ao grande momento! No primeiro dia de aula, consegui enxergar umas cinco Regianes no rosto de outras garotas. Fui conferir a lista dos alunos e para minha surpresa, Regiane Cristina Cerqueira estava na minha sala. Aguardei sem conseguir ficar com a cabeça no lugar, olhando para todas as garotas da classe e imaginando qual delas poderia ser a Gigi. Foi quando o professor chamou seu nome, e ela respondeu “presente“…
Eu poderia escrever que escutei novamente aquela voz doce de laranja-lima, mas não. Longe de ser desagradável, sua voz, óbviamente não era a mesma. Ainda era muito bonita, mas por mais que seu rosto denunciasse, eu não conseguia enxergar nela a Gigi de 1985. Preferi não me manifestar, e só duas semanas depois ela veio falar comigo, depois de ter conversado com a minha prima. Ela perguntou por que eu não havia falado com ela, e respondi com um criativo “sei lá”. Relembramos algumas coisas daquela época, mas eu não confessei o quanto ela foi importante para mim. E nem de longe passou-me tal idéia, principalmente pela certeza de eu não ter sido tão importante pra ela. Ou, talvez, porque eu não estaria me confessando para a Gigi. A verdadeira Gigi, a minha Gigi, desapareceu para sempre, depois de subir aquelas escadas e se perder dentro de uma sala de aula na primeira série…
17
Jan 08
Introdução ao universo dos C.A. (cuzões anônimos)
Introdução da introdução: Peço desculpas aos que encontraram o texto todo picotado, sem formatação. O que aconteceu foi que eu simplesmente ESQUECI que ele estava programado para aparecer hoje. Fiz umas correções rápidas, mas eficientes. Divirtam-se.
INTRODUÇÃO:
Os meus desastres foram os mais sortidos. Dos vasos quebrados na casa da minha avó aos pirulitos sujos de terra. Meu primeiro emprego foi aos 6 anos, como dono de desmanche para os peças dos meus brinquedos que eu não sabia como montar de volta. Os virunduns foram constantes nos meus versos. E cartinhas de amor anônimas a minha principal técnica de conquista.
Não cheguei a desenvolver gene de avestruz, mas confesso a minha TIMIDEZ para qualquer assunto relacionado às mocinhas que faziam meu coração pular como feijão mexicano. Sempre considerei um mínimo de 101% de certeza para que tomasse alguma atitude.
Eu nunca soube aplicar um xaveco decente. Minhas declarações normalmente eram tão desajeitadas e escancaradas que as jovens ou se assustavam ou riam da minha cara. Raríssimas foram as vezes em que recebi uma cantada ou um olhar mais atrevido, o que só reforçou a minha consciência de ser indesejado. Afinal, quem ia querer um neguinho pobre chamado Zé, cheio de espinhas e quatro-olhos? Pra piorar, eu gostava de rock e história em quadrinhos, escrevia uns poemas bem fajutos e ainda me sentia o tal por ter sido uns dos poucos a na escola a ter devorado Dom Casmurro por conta própria.
Na periferia normalmente sempre houve apenas dois tipos de garotas: as gostosas burras e as feias inteligentes. E como feiúra e conhecimentos eram coisas que eu tinha de sobra, só me restava desejar as gostosas, que só davam bola pros donos de motos e carros, para que juntos fossem dançar n’O Caipirão, no centro da cidade. À mim restavam as madrugadas ao som de Smiths e Legião Urbana.
Até há pouco tempo, era possível contar nos dedos as garotas que eu beijei durante toda a minha vida. E a coisa só melhorou depois que comecei a navegar na internet, utilizando as inéditas ferramentas de comunicação e relacionamento. Foi quando percebi que podia expor minhas idéias e descobrir pessoas que partilhavam das mesmas ou que acrescentavam ainda mais ao que eu já sabia. Descobri que além de eu não ser um bicho tão raro, eu sabia muito pouco do que o mundo poderia oferecer. E principalmente, foi um alívio saber que no mundo havia mulheres que ao mesmo tempo eram bonitas, gostosas, inteligentes e divertidas, e que poderiam gostar de caras como eu…
Mas a timidez, ah, essa continuou…
E foi nesse tempo de internet que eu, junto com dois amigos, nos primórdios da lista de discussão Enloucrescendo, fundamos os CUZÕES ANÔNIMOS, ou simplesmente C.A.
O MANIFESTO DOS CUZÕES ANÔNIMOS
“….mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!….”
(Fernando Pessoa)
Basta uma olhada no espelho e lá estará o coração, todo escancarado, balançando de um lado para outro, preso por uma mola. E poucas palavras confirmam a situação: claro, existe uma paixão por trás disso tudo. E há a vontade de fazer as sensações transcenderem o isolamento. E daí você tenta abrir a boca para uma indireta ou declaração, e nada. E só na terceira tentativa você percebe os lábios custurados. Mas o pior é descobrir que o responsável por essa obra da alfaiataria sentimental é você mesmo, meu caro. Bem vindo ao clube: você é mais um CUZÃO ANÔNIMO.
Os CUZÕES ANÔNIMOS, antes de mais nada, são crentes do amor. Ele despreza todas essas teorias modernas que tentam diminuir a importância do amor romântico e monogâmico. O C.A. acredita na prática da felicidade a dois, com passeios de mãos dadas e sexo gostoso em tardes preguiçosas debaixo dos cobertores. Mas para que isso aconteça, é preciso que ele enfrente a si mesmo para conseguir expressar esses desejos à pessoa amada. Os C.A. são grandes amantes, mas são incompetentes na ‘área comercial’.
Primeiro que eles ainda não compreenderam o que convenciou-se chamar de ‘FICAR’, quando duas pessoas trocam beijos e carícias (e todas as suas derivações) sem compromisso algum. Para os C.A., isso é um atentado contra a autenticidade dos seus sentimentos, pois eles sempre sonham com ‘amanhãs’.
Além disso, os CUZÕES ANÔNIMOS são hábeis ficcionistas, pois sempre estão a inventar soluções para seus dilemas, que nunca passarão para o campo prático. Finais felizes para histórias que eles nem conseguiram dar início. Reciprocidades e indiretas (e mesmo diretas) da parte desejada surtem poucos efeitos, pois acabam acumuladas num depósito cheio de caixas com uma etiqueta com a dúvida SERÁ? estampada. Uma dica para quem quiser conquistar um CUZÃO ANÔNIMO é utilizar um luminoso anunciando a sua intenção (recomenda-se também o nome o sobrenome do incauto).
Os CUZÕES ANÔNIMOS sonham com o desenvolvimento das ciências telepáticas. “Ah, se ela soubesse o que eu sinto agora, em um segundo estaria aqui implorando meus beijos”, sempre torcendo em silêncio para serem notados, serem praticados. Mas sempre olham e sentem e nada fazem, e sofrem sempre a fabular, com seus álbuns de figurinhas sempre incompletos.
17
Jan 08
Ana e Beto e os relacionamentos
Pra puta que o pariu estas tuas ideologias românticas, Beto. Beijinhos na chuva e músicas soluçadas ao telefone… EU QUERO É FODER ESTE TEU AMOR e depois poder fumar um cigarro e ir embora sem me preocupar se amanhã eu vou querer te ligar.
O amor, meu bonito, não é um mal necessário como andaram pregando teus amiguinhos blogueiros mal comidos. A merda é que que PESSOAS COMO VOCÊ TRANSFORMARAM O SOFRIMENTO EM ESPORTE. Chorar pela tua paixãozinha de plástico é como aquela coceirinha no pé, que incomoda, mas até que dá um tesãozinho.
E agora que eu estou na ta frente com a calcinha arriada, você ainda quer que eu prometa que amanhã irei ao cinema com você, e depois sairemos de mãos dadas para tomar um sorvete? Por favor, Beto, eu quero apenas me preocupar com o presente. Mas isto não vai fazer com que eu mude minha opinião, AINDA QUERO TREPAR BEM GOSTOSO COM VOCÊ, e pode ter certeza de que será bem melhor assim.
17
Jan 07
A casa em que vivemos…
[ Quero viver contigo numa casa simples sem ser simplória. Eu imagino os detalhes, como o cheiro de manga na cozinha. Penso até nas imperfeições, para que cuidemos delas como cuidamos um do outro. Teremos jasmins para que eu possa te colorir e perfumar todos os dias. Um cachorro de pêlos curtos e um gato preguiçoso. Uma janela para o leste para que possamos acordar com o sol, e uma janela a oeste para possamos nos banhar com os melhores fins de tarde, tomando vinho, cerveja, ou suco de cupuaçu. Fumando, sorrindo, cantando músicas um pro outro, com preguiça de trocar o disco... e pensando como a rotina pode ser perfeita. ]
17
Jan 07
Uma pequena introdução ao Xaveco Arte
Primeiro, vamos deixar bem claro uma coisa:
o AMOR, mais do que sentí-lo, é necessário PRATICÁ-LO.
O termo XAVECO ARTE não deve ser confundido com o a ARTE DO XAVECO, embora o primeiro faça parte do segundo. O XA é um conjunto de preceitos ou regras para bem dizer ou fazer qualquer coisa (dentro de um relacionamento); O termo foi parido pela minha amiga Giu, numa conversa sobre os MELHORES PRESENTES. Concordamos que presente BOM é o presente CONSTRUÍDO com as PRÓPRIAS MÃOS. Quando personalizamos os laços com as pessoas que amamos, renegamos qualquer característica ORDINÁRIA, tendo como objetivo a legitimidade dos sentimentos compartilhados. Para isso, esteja certo, é preciso (muito) TRABALHO. Mas os resultados são quase sempre recompensadores (ou reveladores).
Ou seja, cara-pálida, ao invés de ir ao Shopping Center mais próximo no intuito de comprar uma roupa ou um CD para quem você ama, o que você acha de costurar (ou desenhar para alguma costureira o fazer) uma roupa? Ou comprar uma camiseta branca e lisa, e estampar alguma frase ou foto ou desenho numa camiseta, algo que faça referência ao que vocês representam como casal, como um CD com as músicas que servem de trilha sonora para a HISTÓRIA DE VOCÊS, com direito a capinha desenhada, com encarte recheado de declarações de amor e registros fotográficos dos melhores momentos das suas vidas…
Um exemplo: Uma amiga minha decidiu que daria o melhor presente que o seu namorado poderia ganhar. Algo que ela tinha a certeza que namorada alguma teve competência para fazer antes. Algo que faria do seu namorado o homem mais feliz do mundo. Ela sabia que ele gostava muito de uma banda da cidade. Então, ela foi até os caras da banda, e explicou o seu plano, que foi devidamente aceito. Assim, a banda divulgou um show dali a duas semanas.
Bem no dia, a minha amiga alegou uma indisposição, mas insistiu que o namorado fosse, pois se tratava da banda favorita dele. O namorado cedeu. Chegando ao local, ele estranhou o público: a maioria dos seus amigos, sempre muito ocupados, estavam lá. E assim que a banda subiu ao palco, o guitarrista e vocalista avisou que aquela seria uma apresentação atípica, pois contaria com uma participação especial no palco. Assim que começaram os acordes da primeira canção, a minha amiga subiu ao palco, pegou um microfone, e começou a acompanhar a banda, cantando a maioria das músicas, devidamente ensaiadas ao longo das duas semanas. Conseguiu imaginar a reação do namorado? Pois bem, o que você imaginou é apenas a cara que ele faz enquanto dorme.
E esse foi o apenas o início. Presentes grandiosos (entenda, uma ROSA ROUBADA é algo grandioso) tornaram-se uma rotina dos dois lados. Não se cansam em prestar homenagens ao que eles mais prezam, o amor que sentem um pelo outro. Não é nem um pouco difícil imaginar que hoje eles estão muito bem casados, né?
E VOCÊ? como PRATICA o seu AMOR?
P.S.01: Esse texto ficou maior do que eu imaginava. E quero poupar o leitor de maiores cansaços com as minhas escrevinhações. Pois bem, a RECEITA PARA UM ENCONTRO Á DISTÂNCIA está pronta, mas vai ficar para um próximo episódio.
17
Jan 07
XAVECO ARTE: RECEITA para um ENCONTRO À DISTÂNCIA (Parte I de II)
por Jan Schwarzes
Um dos maiores clichês atrelado aos relacionamentos trata de um PODER que muitos casais desenvolvem para superarem as mais absurdas adversidades. Creio na existência desse ‘poder’ como um conjunto de pensamentos e atitudes com aspirações pragmáticas, mas ocasionalmente mal desenvolvido; muitas vezes limitado a um discurso impávido que escamoteia [ amiúde inconscientemente ] um barril entupido de preguiça e incompetência.
E para transpor os desafios impostos pelas limitações de um relacionamento à distância, o primeiro passo é resolver quaisquer sortes de preguiça e incompetência inerentes às suas expectativas; aplicando uma forma prática ao desejo de qualificar e pluralizar as vias pelas quais passam o amor que você dá e o amor que você recebe.
O verbo ENCONTRAR é um dos mais utilizados pelos casais que estão separados pela distância, contudo ele é quase sempre professado no tempo futuro. Ora, todo e qualquer relacionamento é regido por encontros reais, onde duas pessoas proporcionam, compartilham e conjugam sensações. E fazendo do relacionamento um mero exercício contemplativo de uma equação que reúne o passado e o futuro como termos, abstém-se de uma resolução simples que é a possibilidade de uma vida saudável agora.
O objetivo dessa pequena introdução é preparar o leitor desejoso de revoluções nas formas de relacionar-se com a pessoa querida, porém ausente. Percebendo que essas limitações podem ser usadas ao seu favor, bastando que a sua vontade alie-se à criatividade, explorando e desenvolvendo um número considerável de novas possibilidades para encontros no presente.
[ Jan Schwarzes, 51, é alemão e professor titular de psicologia e coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas para Relacionamentos Lúcidos da Universidade Wachsenwild. Mantém, ao lado de sua esposa, a arquiteta francesa Marin Maués, a transatlanticisme.org, uma ONG dedicada à promover o encontro de casais pobres separados por grandes distâncias. ]








